Saranda, Ksamil e Butrinto, a costa jónica albanesa: cidade UNESCO (€8–10), ilhas de Ksamil em caiaque, castelo de Lekuresi, Corfu a 14 km.
Três lugares, uma só viagem. Butrinto — Património Mundial da UNESCO desde 1992 — é uma das cidades antigas mais estratificadas do Mediterrâneo, ocupada desde os séculos X-VIII a.C. Ksamil, com pouco mais de 2.700 habitantes, é o arquipélago de areia branca a norte, o cartão postal da costa albanesa. Saranda, a cidade-porto de quase vinte mil habitantes, dorme-o e alimenta-o com vista para Corfu, a apenas 14 quilómetros do outro lado do estreito. De Tirana são 280 km / 4–5 horas; conte 3 a 5 dias na zona.
Segundo Virgílio na Eneida, Butrinto foi fundada pelo vidente troiano Helenus depois da queda de Tróia. A arqueologia data a primeira ocupação grega em torno do século VIII a.C. Júlio César transformou-a em colónia romana em 44 a.C., Augusto reafirmou o estatuto em 31 a.C. depois da batalha de Áccio. Carlos I de Anjou tomou-a em 1267 e reconstruiu a basílica. A expansão otomana esvaziou-a e, em Outubro de 1798, Ali Paxá de Tepelena conquistou Butrinto e construiu a pequena fortaleza que ainda guarda o canal.
O nome de Saranda comemora os 40 mártires mortos sob Diocleciano no início do século IV — em grego, saranta significa "quarenta". A cidade albergou uma das primeiras sinagogas dos Balcãs (séculos IV-V), supostamente fundada por judeus capturados após a destruição romana de Jerusalém em 70 d.C.; o seu pavimento de mosaicos está hoje exposto no museu arqueológico. Ksamil moderno é, em contraste, quase inteiramente uma criação comunista: fundado em 1966 como assentamento agrícola, só se converteu em vila turística depois de 1990.
O Parque Nacional de Butrinto abre 08:00–20:00 no Verão (horário mais curto no Inverno), entrada 8 a 10 euros para adultos. Conte 2,5 a 3 horas no local. Destaques: o teatro grego (séc. III a.C., parcialmente submerso), o baptistério com o seu pavimento de mosaicos (séc. VI, com pares de animais — geralmente coberto de areia para protecção, mas exposto em ocasiões especiais), a monumental Porta dos Leões (séc. IV a.C.) e o castelo de Ali Paxá que guarda o canal.
De Ksamil, alugue um caiaque ou pedalinho (10–15 euros) para visitar as quatro ilhotas calcárias a 200 metros da costa. As águas são transparentes e atingem 28 °C em Agosto; na alta época pague pela cadeira de praia 5 a 15 euros por dia. Castelo de Lekuresi, em Saranda, é gratuito e tem o melhor pôr-do-sol da costa, com vista de Corfu, Saranda e Butrinto a partir do mesmo ponto.
A rota mais elegante: voe de Lisboa para Corfu (Grécia) com Ryanair via Atenas, ou TAP/Lufthansa via Frankfurt; depois ferry de Corfu para Saranda (35 minutos, 25 euros, várias travessias diárias). Em alternativa, Lisboa–Tirana via Roma ou Milão e depois 280 km de estrada (4–5 horas). De São Paulo, Turkish via Istambul até Tirana ou Corfu. A época alta (Junho-Agosto) tem voos charter para Corfu por menos de 100 euros ida e volta a partir de Lisboa.
O essencial são quatro dias na zona. Recomendamos o Riviera albanesa, Butrinto e Gjirokastër, que junta a Riviera, Butrinto e Gjirokastër num só circuito privado de três dias. Para quem queira ver o resto do país, o Sul da Albânia: Riviera–Vjosa–Ohrid acrescenta o Vjosa e o lago de Ohrid. Para um pacote nacional, o Tour privado Albânia 6 dias — UNESCO liga Saranda às cidades UNESCO do norte.
Saranda tem hotéis para todos os bolsos: Hotel Brilant Saranda (50 euros), Bougainville Bay (resort, 120 euros), apartamentos em Airbnb por 30–50 euros. Em Ksamil os alojamentos sobem em alta época (80–150 euros). Em Butrinto não dorme: visite e regresse. Restaurantes: Taverna Kuçi (Saranda, frutos do mar), Guvat (Ksamil, polvo grelhado), Tradita (Saranda, qofte e iogurte caseiro). Beba o Kallmet, vinho tinto albanês, ou o Skadarsko branco do Lago Shkodra.
Para um português, Saranda é como descobrir uma versão pré-2000 do Algarve: praias de águas turquesa, herança romana, comida de marisco e preços que ainda permitem viajar como se viajava nos anos 90. Butrinto evoca Conímbriga elevada à enésima potência. Os 40 mártires de Saranda fazem eco da devoção católica portuguesa pelos santos. E a vista de Corfu, a 14 km do outro lado, lembra a familiar perspectiva das Berlengas a partir de Peniche — duas costas que se olham, uma estrangeira mas amiga, a outra nacional mas selvagem. Os preços por noite são metade dos do Algarve em Agosto.
Sob Hoxha, toda esta costa foi zona militar restringida. Os bunkers ainda visíveis em Ksamil e na praia de Pulëbardha datam dos anos 1970, construídos contra uma invasão americana ou italiana que nunca chegou. Ksamil só foi declarado vila em 1991; até então era um colectivo agrícola produtor de citrinos. A explosão turística é fenómeno de 2010 em diante. Quem visita hoje vê uma costa em transição — alguns excessos de construção, sobretudo em Ksamil, mas ainda com cantos quase virgens em Borsh, Lukova ou Kakome.
Quando ir? Junho e Setembro são ideais (água quente, menos gente, preços razoáveis). Agosto é cheio e caro. Maio e Outubro são óptimos para visitar Butrinto sem multidões.
Posso fazer Butrinto como excursão de um dia desde Corfu? Sim, ferries regulares e excursões diárias por 60–80 euros incluindo entrada.
Vale a pena alugar carro? Para a Riviera sim. Em Saranda-Ksamil-Butrinto os táxis são baratos (5 euros entre vilas) e há autocarros de hora a hora.
Que documentos preciso? Cidadãos da UE (incluindo Portugal) entram com cartão de cidadão por 90 dias. Brasileiros, passaporte sem visto até 90 dias.
O ferry Saranda-Corfu é uma das melhores ligações marítimas dos Balcãs: 35 minutos, várias travessias diárias entre Maio e Outubro (4 a 6 idas-voltas), 25 euros por trajecto adulto. Companhias: Finikas Lines e Ionian Cruises. Reserva online recomendada na alta época. Permite: começar férias em Corfu (com voos baratos da Europa) e atravessar para a Albânia para trechos selvagens; ou usar Saranda como base e fazer Corfu em excursão de um dia. Atenção: o controlo fronteiriço pode demorar 30–60 minutos no embarque, sobretudo no sentido Corfu-Saranda em Agosto.
O nome Saranda vem do mosteiro bizantino dos 40 Mártires construído no século VI sobre uma colina próxima da actual cidade. Os 40 mártires são soldados romanos cristãos executados sob Licínio em 320 d.C. — um dos cultos mais antigos do cristianismo oriental. Resta apenas a fundação do mosteiro, num pequeno parque arqueológico (acesso livre, 5 minutos a pé do centro) com vista panorâmica sobre o porto. Para um português católico, é interessante notar que esta tradição martirial tem paralelos directos com os 40 Mártires de Sebaste celebrados nas igrejas portuguesas medievais.
Moeda: lek albanês (1 euro ≈ 100 ALL); euros aceites em hotéis turísticos. Caixas multibanco em Saranda e Ksamil. Cobertura 4G excelente. Tomadas tipo C/F. Água da torneira potável em Saranda. Conduzir é fácil mas devagar — a estrada da Riviera tem curvas. Nos meses de pico reserve alojamento com 1 mês de antecedência.
How it works
Ouça o audio tour gratuito — ou reserve uma experiência com guia privado.
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